Qual a relação que existe entre o Estado, a Família e as Virtudes?
Nos dizeres do famoso escritor baiano Rui Barbosa:
“A família é a célula Mater da sociedade. A família é de fato, a primeira sociedade da qual se faz parte. Nela vivemos a maior parte de nossa existência. Sendo a única que possui laços indissolvíveis, tornando-se assim o mais importante. Diante disso, destruída uma família, a sociedade se desfará automaticamente .”
As famílias servem de base para a sociedade, também dirá Aristóteles. E, por isso, uma sociedade bem estruturada e que tem por fim o bem comum, nasce das famílias estruturadas. E por que isso ocorre?
Primeiro, porque os seres humanos, diferentes dos animais, precisam ser educados pelos seus pais. E para bem educar os filhos, se faz necessária uma estrutura familiar longeva. Mas não é uma educação para um trabalho servil ou para alguma profissão em particular.
É uma educação para as virtudes, sendo a maior delas a caridade.
Logo, uma sociedade sadia e justa, depende de pessoas virtuosas, seja por elaborar leis realmente justas, seja por elas mesmas, sem precisar dessas leis, mas por livre iniciativa, serem justas e caridosas umas com as outras.
E onde tais pessoas aprenderão essas coisas, uma vez que os seres humanos precisam ser educados por outras pessoas? Afinal, os seres humanos não “nascem sabendo”. Resposta: NA FAMÍLIA.
E se as pessoas, que aprenderem a ser justas e caridosas, por causa das suas famílias bem estruturadas, certamente precisarão de menos leis para regular suas ações. Certamente precisarão de menos normas e, consequentemente, menos burocracia. Certamente não haverá a necessidade de um Estado que dê centenas de ordens e obrigações, porque de forma geral, as pessoas viverão em comum acordo e em harmonia umas com as outras.
Nesse sentido, o Estado não teria uma participação tão relevante e não seria tão intromissivo em regular as ações dos indivíduos mas somente controlaria o que diz respeito ao bem comum, como fornecer acesso básico a uma vida de qualidade.
O Estado poderia até ser necessário, por uma questão de organização mas nunca fundamental.
Fundamental para uma sociedade sadia e harmônica são as famílias bem estruturadas onde se aprendem as virtudes desde novos.
Porém, quando o Estado busca enfraquecer as famílias e as relações familiares, ele o faz por benefício próprio. Porque quando as famílias começam a se desestruturar, elas deixarão de ser educadas pelas suas famílias. Ao deixarem de ser educadas, as pessoas que possuem mais propensão aos vícios e aos crimes, irão comete-los. Esses vícios irão fazer com que o Estado aumente o número de leis e normas e, consequentemente, a burocracia.
Esses vícios dos cidadãos aumentará gradativamente o poder do Estado sobre os mesmos cuidados. O Estado, percebendo que os vícios e as famílias desestruturadas lhes confere mais poder, através dos seus próprios decretos, leis e normas, fomentarão cada vez mais o aumento dos vícios e a destruição das famílias, até ao ponto da total escravidão dos seus habitantes, que começarão perdendo a liberdade e acabarão por perder até mesmo, a própria identidade individual.
Essa é a relação que existe entre o Estado, a Família e as Virtudes.
Para vencer um Estado totalitário e ditatorial, precisamos das famílias, que é o lugar apropriado, o único lugar, onde os seres humanos são educados para uma vida de virtudes e, por isso mesmo, transcendental.